Fumava há tanto tempo que quando chegou ao parque no domingo, o ar fresco lhe era estranho. Não lembrava da última vez que havia inalado tamanha pureza. Por muito tempo o cheiro do cigarro o acompanhava desde cedo até a hora que deitava no travesseiro. Era um cheiro que virava gosto.Os sentidos foram se misturando e se perdendo, como uma fumaça que dispersava os seus prazeres. O cigarro tomou conta de sua vida, sendo o único que se mantinha presente.
A falta de sabor, o cheiro que não vinha, completavam um amarelo acizentado que agora incomodavam sua visão. Seu mundo já não era mais o mesmo, aquilo que o acalmava era agora o que o deixava inquieto. Sabia que não seria fácil, mas não aguentaria viver dessa maneira. Largar o vício seria a única forma de redescobrir as coisas, de perceber os arredores e viver novamente. Sem pressa, com dificuldades, mas se mantendo forte foi conquistando seu objetivo. O cigarro já não fazia parte de sua vida e os prazeres, ah os prazeres, despertaram seus sentidos.
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