quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Selvageria

Reencontro

Quando criança não notava meu vizinho
Tão pequeno, um pouco nerd, bem bobinho
Me mudei, o esqueci, não lembrava
Fui a uma festa e o encontrei
Fiquei surpresa, me apaixonei!

Sem Cinzas

Fumava há tanto tempo que quando chegou ao parque no domingo, o ar fresco lhe era estranho. Não lembrava da última vez que havia inalado tamanha pureza. Por muito tempo o cheiro do cigarro o acompanhava desde cedo até a hora que deitava no travesseiro. Era um cheiro que virava gosto.Os sentidos foram se misturando e se perdendo, como uma fumaça que dispersava os seus prazeres. O cigarro tomou conta de sua vida, sendo o único que se mantinha presente.
A falta de sabor, o cheiro que não vinha, completavam um amarelo acizentado que agora incomodavam sua visão. Seu mundo já não era mais o mesmo, aquilo que o acalmava era agora o que o deixava inquieto. Sabia que não seria fácil, mas não aguentaria viver dessa maneira. Largar o vício seria a única forma de redescobrir as coisas, de perceber os arredores e viver novamente. Sem pressa, com dificuldades, mas se mantendo forte foi conquistando seu objetivo. O cigarro já não fazia parte de sua vida e os prazeres, ah os prazeres, despertaram seus sentidos.

sábado, 3 de outubro de 2009

Fascínio




Era um dia como outro qualquer. Na correria da rotina levava os papéis da empresa para serem confirmados no banco. Desci na Sé para encurtar o processo e até quem sabe ganhar tempo para um passeio na praça, dar uma olhada nos preços dos brinquedos, afinal o Natal já estava batendo nas portas, pendurando suas guirlandas e luzinhas piscantes.

Fico indignada vendo como o tempo passa rápido, acho que o metrô faz isso conosco, enquanto se dirige ao nosso destino, ele nos faz pensar em silêncio, questionar a nós mesmos como temos vivido, quem de fato somos, quem são os outros e onde buscam chegar. Todos em silêncio buscando explicações para a vida, é quase como um tempo mítico que nos envolve e perdemos a noção do que realmente estávamos fazendo ali; muitas vezes acabamos deixando passar a estação pela intensidade do pensamento.

Gosto de observar as pessoas ao redor, sempre correndo, sempre atrasadas para alguma coisa que não sabem exatamente o que é. Acho que as pessoas se sentem atrasadas pelo simples fato de ver a vida passar, o tempo passar e não poder fazer nada para pará-lo. Não estão tentando se apressar para reuniões de negócios onde ganharão um grande investimento financeiro, mas sim para poderem ter um tempo para elas mesmas. Me pergunto sobre a vida de cada uma delas, se elas gostam do que fazem ou se fazem para sobreviver; com quem essas pessoas passarão o Natal? Será que são felizes?

Em meio a essas mil perguntas que se passavam frequentemente em minha cabeça, fiz o que estava lá para fazer; entreguei os papéis e consegui dar uma pequena volta na praça, coisa de cinco minutos. Voltando ao metrô que estava lotado àquela hora do dia, sentei-me rapidamente logo que as portas se abriram. Olhei para o relógio, já eram 5 horas.

Espiei ao meu lado e fiquei intrigada com um senhor em torno dos setenta anos concentrado em um livro de Shakespeare, ele parecia muito satisfeito. Sorri. Acho incrível como essas pessoas me inspiram. Naquele momento, o homem conseguia voltar no tempo, sair da realidade chata e cansativa e ser feliz. Senti como se ele percebesse que estava observando-o, fiquei sem graça e rapidamente virei o rosto. Em um movimento lento, ele encostou no meu ombro e sussurrou “


Aqueles que não questionam nunca, não chegarão a lugar algum. Já aqueles que o fazem, aperfeiçoam o mundo, aprendem a viver e a serem felizes. A vida é efémera e não há livro que a imortalize. Precisamos experimentar as sensações, afinal viver é sentir alegria nas coisas simples. Enfim, quero dizer-te que estou aqui apenas para lhe recomendar que não se preocupe, pois será muito feliz!”